quarta-feira, 5 de março de 2014

Um caso de amor : Carnaval & Brasil


Uma das mais antigas formas de Carnaval é o entrudo, cujo primeiro relato se deu em Pernambuco, em 1553. Trata-se de uma brincadeira de influência portuguesa, em que os foliões se sujam uns aos outros atirando polvilho, pó de sapato, farinha de trigo ou limões de cheiro (limões recheados de água e urina). Em 1854 o entrudo tinha de “ser seco para não estragar as roupas mais custosas e cuidadas dos nobres e não provocar desordens e confusão”. O entrudo a seco se transformou no Carnaval.

No final do século XIX, buscando adaptarem-se às tentativas de disciplinamento policial, foram criados os cordões e ranchos. Os primeiros incluíam a utilização da estética das procissões religiosas com manifestações populares, como a capoeira e os zé-pereiras, tocadores de grandes bumbos. 


Os ranchos eram cortejos praticados principalmente pelas pessoas de origem rural.

Baiana desfila nos anos 1960: ecos das origens (Marcel Gautherot/Acervo IMS)

O sapateiro português José Nogueira de Azevedo Prates, o Zé Pereira, saiu pelas ruas tocando bumbo em 1848. Pessoas foram se juntando a ele e deram origem aos blocos de rua. O desfile de blocos de rua durante o Carnaval carioca foi autorizado apenas em 1889.

O primeiro bloco organizado brasileiro foi o Congresso de Sumidades Carnavalescas, fundado pelo escritor José de Alencar em 1855. Nessa época, a folia era vinculada às elites. Os desfiles eram luxuosos, compostos por carros bem ornados, mulheres bonitas e grupos musicais estruturados.

No Brasil o início da festa é conhecido como “grito de carnaval”. Antigamente os clubes promoviam festas pré-carnavalescas com este nome. Nessas festas as pessoas iam fantasiadas e cantavam e dançavam ao som de marchinhas de Carnaval.
As marchinhas de carnaval surgiram no século XIX, cujo nome originário mais conhecido é o de Chiquinha Gonzaga, bem como sua música O Abre-alas.


Diferentemente do frevo e do samba – de caráter popular -, as marchinhas de carnaval surgiram como ritmo executado prioritariamente nos salões cariocas do final do século XIX. Elas tiveram sua ascensão ao mesmo tempo em que a classe média aumentou sua participação nos carnavais de rua.
Ao longo do século XX, o carnaval popularizou-se ainda mais no Brasil e conheceu uma diversidade de formas de realização, tanto entre a classe dominante como entre as classes populares. Por volta da década de 1910, os corsos surgiram, com os carros conversíveis da elite carioca desfilando pela Avenida Central, atual Avenida Rio Branco. Tal prática durou até por volta da década de 1930.

A marchinha Jardineira foi composta em 1938 e apareceu na comédia musical “Banana da Terra” (1939), que tinha no elenco Carmen Miranda, Oscarito e Emilinha Borba.  


As marchinhas conviveram em notoriedade com o samba a partir da década de 1930. Uma das mais famosas marchinhas foi Os cabelos da mulata, de Lamartine Babo e os Irmãos Valença. Essa década seria conhecida como a era das marchinhas.




A palavra samba foi utilizada pela primeira vez em 1838, pelo frei Miguel do Sacramento Lopes da Gama. O nome apareceu em uma quadrinha publicada na revista pernambucana “Carapuceiro”. Na ocasião, o termo foi usado para distinguir um dos tipos de música introduzidos pelos escravos africanos.
O nome do ritmo é de uma língua africana chamada banto, falada em Angola. Há duas versões para sua origem: ou ela deriva do termo samba (bater umbigo com umbigo), ou é uma junção de sam (pagar) e de ba (receber). Nas antigas rodas de escravos se praticava a umbigada, dança em que dois participantes davam bordoadas um no baixo-ventre do outro.

Foi na Rua Visconde de Itaúna, próximo a Praça Onze, que nasceu o samba. Uma roda de amigos improvisava versos na casa de uma das moradoras do morro, a tia Ciata (Hilária Batista de Almeida). Em 6 de agosto de 1916, o grupo criou a música O Roceiro, que caiu no gosto do povo. O samba somente surgiria por volta da década de 1910, com a música Pelo Telefone, de Donga e Mauro de Almeida, tornando-se ao longo do tempo o legítimo representante musical do carnaval.



Na década de 1920, o samba começou a se firmar no mercado cultural do Rio de Janeiro. Surgiam as primeiras indústrias nacionais de discos, e os bailes carnavalescos estavam em alta. Os compositores Sinhô e Caninha foram os primeiros a entrar na cena.
Entre as classes populares, surgiram as escolas de samba na década de 1920. As primeiras escolas teriam sido a Deixa Falar, que daria origem à escola Estácio de Sá, e a Vai como Pode, futura Portela. As escolas de samba eram o desenvolvimento dos cordões e ranchos. A primeira disputa entre as escolas ocorreu em 1929.
Em 1928, o compositor Ismael Silva reuniu os principais sambistas do bairro carioca do Estácio. Eles formavam uma roda de samba em frente à antiga Escola Normal. Por isso o nome “escola de samba”. Fundada oficialmente em 12 de agosto de 1928, ela foi batizada de “Deixa Falar”.

A “Deixa Falar” já apresentava o casal que empunhava a bandeira do grupo conhecido como pavilhão. O mestre-sala e a porta-bandeira são remanescentes dos antigos ranchos, grupos anteriores à escola de samba. 



Em 1930, surgem Noel Rosa e Ary Barroso, que levam o ritmo popular às classes médias. É também nessa época que são criadas variações do samba como samba-canção, samba-choro, samba de breque e samba-enredo.




A principal festa do carnaval fora de época brasileiro é a micareta,entretanto, não foi o Brasil que a inventou. A festa vem da França do século XV, onde era conhecida como “mi-carême” (“meio da quaresma”). O evento acontecia durante os 40 dias de penitência impostos pela Igreja Católica.
- A primeira micareta brasileira ocorreu no início do século XX, em Jacobina, interior da Bahia. O nome “micareta” surgiu em 1935, depois de um plebiscito feito pelo jornal “A Tarde”. Fora da Bahia, a primeira que se tem notícia é a Micarande, realizada em Campina Grande, na Paraíba, em 1989.

O abadá, roupa usada pelos micareteiros, tem sua origem na cultura afro-brasileira. Os abadás eram as vestimentas usadas nas celebrações do candomblé. [Mais tarde, o termo passou a designar a roupa dos capoeiristas.] Na Bahia, os primeiros afoxés surgiram na virada do século XIX para o XX, com o objetivo de relembrar as tradições culturais africanas. Os primeiros afoxés foram o Embaixada Africana e os Pândegos da África.

SECOM | Secretaria de Comunicação Social da Bahia

Por volta do mesmo período, o frevo passou a ser praticado no Recife, e o maracatu ganhou as ruas de Olinda.


  Folha Imagem & Pernambuco Cultural 2012                                                                             

Em 1950, na cidade de Salvador, o trio elétrico surgiu após Dodô e Osmar utilizarem um antigo caminhão para colocar em sua caçamba instrumentos musicais por eles tocados e amplificados por alto-falante, desfilando pelas ruas da cidade. Eles fizeram um enorme sucesso.
O trio elétrico conheceria transformação em 1979, quando Morais Moreira adicionou o batuque dos afoxés à composição. Novo sucesso foi dado aos trios elétricos, que passaram a ser adotados em várias partes do Brasil.





As escolas de samba e o carnaval carioca passaram a se tornar uma importante atividade comercial a partir da década de 1960. Empresários do jogo do bicho e de outras atividades empresariais legais começaram a investir na tradição cultural. A Prefeitura do Rio de Janeiro passou a colocar arquibancadas na avenida Rio Branco e a cobrar ingresso para ver o desfile.
Em 1984, foi criada no Rio de Janeiro a Passarela do Samba, ou Sambódromo, sob o mandato do ex-governador Leonel Brizola. Com um desenho arquitetônico realizado por Oscar Niemeyer, a edificação passou a ser um dos principais símbolos do carnaval brasileiro.

O carnaval, além de ser uma tradição cultural brasileira, passou a ser um lucrativo negócio do ramo turístico e do entretenimento. Milhões de turistas dirigem-se ao país na época de realização dessa festa, e bilhões de reais são movimentados na produção e consumo dessa mercadoria cultural.


quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Carnaval : uma história antiga

O carnaval tem sido atribuído à evolução e à sobrevivência do culto de Ísis no Egito, dos festejos em honra de Dionísio, na Grécia, e até mesmo às festas dos "inocentes" e "doidos", na Idade Média, dando origem aos carnavais dos tempos modernos.
                              Isis_(2)                                    Dionysos_Louvre_Ma87                          carnaval_bafcop
 
Para a maioria dos pesquisadores, é provável que o Carnaval tenha se originado no Império Romano, ainda antes do nascimento de Cristo. Nessa época, celebravam-se as Saturnálias, festas em homenagem ao deus do tempo, Saturno. Elas aconteciam nos meses de novembro e dezembro, e todos os segmentos da sociedade participavam. As escolas ficavam fechadas, os escravos eram soltos e as pessoas saíam às ruas para dançar. Carros (chamados de “carrum navalis” por serem semelhantes aos navios) levavam homens e mulheres nus em desfile. Dos membros da nobreza aos escravos, todos se misturavam nas ruas para as comemorações, que incluíam muita comida, bebida, música e dança, nada muito diferente do que ocorre hoje.
 
 
                                                                             saturnalias            
É importante ressaltar que antes das Saturnálias (Romanas), no Egito, no período da estação do outono realizava-se a festa do boi Apis (animal sagrado). Escolhia-se o boi mais belo e todo branco o qual era pintado com várias cores, hieróglifos e sinais cabalísticos (branco = pureza, então, pintar o boi significa torná-lo impuro). O boi era conduzido pelas ruas e levado até o rio Nilo, onde era afogado. Em procissão, sacerdotes, magistrados, homens, mulheres e crianças, fantasiados grotescamente, iam atrás dele (o boi) dançando, cantando em promiscuidade até seu afogamento.
                                                                                    Moreau,_Europa_and_the_Bull
Frise-se que na mitologia Grega, Júpiter se fez passar por um boi belo e branco como a neve, seduziu a princesa Europa , que adornada com flores subiu sobre seu dorso e Júpiter a conduziu para o mar até uma praia deserta onde a possuiu.
                                                                          
No entanto, as Saturnálias iniciava-se com César e eram protegidas por Baco, o deus do vinho (daí o termo Bacanal). Nos dias de folia, tudo se invertia e ao participar dessa inversão, as pessoas representavam papéis, e fingiam ser o que não eram. Tanto que o rei da festa, o Rei Momo, era um escravo (da classe mais baixa de Roma) e podia ordenar o que quisesse durante as festividades. Durante seu reinado, era praticado, sobre o seu comando, todo tipo de orgia, bebedeira e lascívia. No término das festividades, ou seja, no final do quarto dia, o rei Momo era sacrificado de forma brutal no altar de Saturno.
 
Outros especialistas afirmam que o nome da festa vem da expressão latina “carnem levare“, que quer dizer “adeus à carne”, já que representava os últimos dias antes da Quaresma, período em que o consumo de carne é proibido aos cristãos.
Nos primeiros séculos a Igreja Católica não tinha expressão dentro do mundo greco-romano. Somente no século 4, o imperador Constantino publica o Edito de Milão (313 D.C.), que torna o catolicismo a religião oficial do Império e proíbe a perseguição de cristãos. A partir do século 4, a Igreja cria uma estrutura mais forte e elabora um cronograma oficial para as festas litúrgicas – Natal, Quaresma e Páscoa – dentro do calendário Juliano.
Como a Igreja pautava-se nos padrões éticos e morais, não permitia uma série de excessos na Quaresma, como a realização de bacanais e saturnálias. A Igreja Católica se opunha a esses festejos pagãos, mas, em 590, decidiu reconhecê-los. Exigiu, porém, que o dia seguinte (Quarta-Feira de Cinzas) fosse dedicado à expiação dos pecados e ao arrependimento.Então, as pessoas passaram a aproveitar o último dia antes do início da Quaresma para fazerem tudo a que “tinham direito”. O carnaval é realizado justamente neste período e remonta às características das festas pagãs. A Quarta-feira de Cinzas marca o início da Quaresma (40 dias de abandono dos prazeres), e tem esse nome porque havia o costume de se marcar a testa dos fieis com as cinzas de uma fogueira em sinal de penitência.
Assim estas festividades pagãs foram movidas para antes do início desse período - a mesma data atual - e ganharam o nome de “carnem levare”, que em latim significa "adeus à carne", ou seja, uma despedida dos chamados prazeres carnais, dos tais excessos que caracterizavam as Saturnálias e eram, como ainda são, reprovadas pela Igreja.
O Carnaval foi aos poucos mudando de cara. Na Idade Média, incluía sátiras aos poderosos, predominavam nos festejos de Carnaval os jogos e disfarces. Os foliões se protegiam de possíveis retaliações com a desculpa de que a festa os deixava loucos (“folia”, em francês, significa loucura).
 
Já em Roma havia corridas de cavalos, desfiles de carros alegóricos e divertimentos inocentes como a briga de confetes pelas ruas. O baile de máscaras foi introduzido pelo Papa Paulo II, no século XV, mas ganhou força e tradição no século seguinte, por causa do sucesso da Commedia dell'Arte. As mais famosas máscaras são as confeccionadas em Veneza e Florença, muito utilizadas pelas damas da nobreza no século XVIII como símbolo máximo da sedução.
                              veneza
Datam dessa época três grandes personagens do Carnaval. A Colombina, o Pierrô e o Arlequim tem origem na Comédia Italiana, companhia de atores que se instalou na França pra difundir a Commedia dell'Arte. O Pierrô é uma figura ingênua, sentimental e romântica. É apaixonado pela Colombina, que era uma caricatura das antigas criadas de quarto, sedutoras e volúveis. Mas ela é a amante de Arlequim, rival do Pierrô, que representa o palhaço farsante e cômico.
 
 
entrudoNa Europa um dos principais rituais de Carnaval foi o Entrudo. A palavra vem do latim e significa início, começo, a abertura da Quaresma. Existe desde 590 D.C., quando o carnaval cristão foi oficializado. O povo comemorava comendo e bebendo para compensar o jejum. Mas, aos poucos, o ritual foi se tornando bruto e grosseiro e o máximo de sua violência e falta de respeito aconteceu em Portugal, nos séculos XVII e XVIII. Homens e mulheres atiravam água suja e ovos das janelas dos velhos sobrados e balcões. Nas ruas havia guerra de laranjas podres e restos de comida e se cometia todo tipo de abusos e atrocidades.






quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Um pé de quê : O que a moda tem a ver com o pau-brasil ?

O que a moda tem a ver com o pau-brasil ? A partir de quando o vermelho virou moda para a maioria dos "mortais" ? 

Imagina que você é uma perua do século XVI, no Reino de D.Manoel. Passou anos olhando os reis e os bispos desfilando de roupa vermelha na sua frente e nunca pôde usar a cor porque era exclusividade deles. Um dia , descobrem uma tinta muito mais barata e lançam no mercado um tecido igual ao vermelho dos reis. Você não ia querer? Claro , todo mundo queria. Foi o que aconteceu na Europa no século XVI.
O famoso "rouge" das maquiagens usadas pelas mulheres europeias era feito com o pigmento da madeira pau-brasil.

O vermelho ou o carmesim sempre trouxe ao mundo da moda um aspecto real , especial, algo diferenciado, talvez por ser uma cor anteriormente utilizada , somente, por reis e papas. O vermelho é moda até hoje, e inspirados nesta onda monástica Dolce & Gabbana lançaram na Semana de Moda em Milão, uma coleção inverno 2014 com forte apelo religioso da sua Sicília natal ( Catedral de Monreale ) , sendo o vermelho o grande carro-chefe.


                                                                Foto: Style.com


desfile dolce gabbana 2014

O que isso tem a ver com um texto sobre árvore?
Pois foi justamente uma árvore que instituiu a moda vermelha na Europa no século XVI : o pau-brasil


'Um pé de quê?' , projeto fantástico realizado pela TV Futura com a Pindorama Filmes mostra a riqueza da fauna brasileira e como ela faz parte do nosso dia a dia.

Começaremos pela primeira fonte de riqueza brasileira explorada ( muito , aliás!) pelos portugueses quando da sua chegada ao nosso território monumental, o famoso "pau-brasil".

A brasilina ou corante vermelho natural foi o primeiro produto destas terras e por causa desta árvore, o apelido Brasil pegou e a profissão brasileiro virou nossa nacionalidade.E o apelido anterior de Terra de Vera Cruz ( isso já é outra história!) já tinha sido substituído por Brasil definitivamente.
Nos primeiros 30 anos depois do descobrimento, o Brasil viveu exclusivamente de exploração do pau-brasil ( o Brasil não, Portugal , né?!). Até esse momento, a árvore foi a única coisa de valor que os portugueses encontraram aqui (menos mal...). O pigmento vermelho que tiravam dela estava virando um dos produtos mais procurados e populares da época.


Mas o pau-brasil não servia só para fazer tinta. É com sua madeira , muito dura e pesada, que eram fabricados os arcos para os violinos mais importantes das orquestras mais sofisticadas do mundo. Assim o pau-brasil ia se tornando cada vez mais valioso pois era exigida ( e ainda é ) a parte mais flexível, sem nó, reduzindo a 15% do tamanho da tora. 

Estima-se que para confeccionar um arco apenas, é necessário 1kg de madeira e quase 80% da toras de madeiras exploradas para esta finalidade são desperdiçadas. Menos mal que atualmente , organizações internacionais de preservação do meio ambiente juntamente com fazendeiros brasileiros e, através do 'Programa Pau- brasil' ,cultivam mudas com consciência da preservação para esta demanda de fabricação de violinos entre outros.

No século XIX inventaram a anilina,um novo produto, totalmente químico, de onde se podia tirar o mesmo vermelho do pau-brasil. Com esta maravilhosa e nova tecnologia, usar roupa tingida com pau-brasil já tinha virado coisa de selvagem ( selvagens que antenados já usavam o vermelho-brasil antes dele virar moda pela Europa).


A anilina decretou o fim da exploração da árvore mas já era tarde demais , pois as nossas matas, antes abundantes de pau-brasil em toda a sua extensão litorânea ( Ceará ao Rio de Janeiro), já estavam praticamente inexistentes. Até o fim do século XIX , os europeus derrubaram mais de dois milhões de árvores, 20 mil por ano, 50 por dia. Há quem diga que foram mais de 70 milhões de árvores de pau-brasil.

Em 1961 , o presidente 'vassourinha' Jânio Quadros decretou oficialmente o pau-brasil como árvore símbolo do País e o dia 3 de maio como Dia Nacional Do Pau-brasil.




Em junho de 2007 , foi aprovada a regulamentação do comércio desta árvore na Convenção sobre o Cites. Desde 1992 seu corte é limitado , mas agora há restrições no comércio internacional e necessidade de certificação.



Pau-brasil : árvore símbolo do país mesmo que você nunca tenha visto uma.


Você, por exemplo, já teve a oportunidade de conhecer um pé de pau-brasil pessoalmente?

Se gostou ...assista o vídeo da Pindorama Filmes by Regina Casé! Ou acesse Site um pé de quê


13 - Pau-Brasil from Pindorama Filmes on Vimeo.

Na próxima parada: um pé de cana!

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Brasil : Línguas Esquecidas

O Brasil é uma das maiores nações multilíngues do mundo , entretanto, o terceiro com maior número de línguas ameaçadas de extinção. Das 180 línguas catalogadas pelo Atlas e referendadas pela Funai , 45 estão em situação crítica e o restante em perigo ou vulneráveis.


Ao certo não se pode precisar o número de línguas faladas no território nacional; pelo Censo do IBGE de 2010 teríamos 274 línguas divididas entre as 305 etnias indígenas existentes , já o relatório do Museu Goeldi aponta para 154 .O que não deixa dúvidas é que um quarto conta com menos de cem falantes , algumas já morreram e outras tantas estão em processo rápido de extinção.

Angel Corbera Moli , etimologista e professor de Línguas Indígenas na Unicamp , e de acordo com estudos da UnB , enfatiza que praticamente todas as línguas faladas ,desde o período colonial ,nas atuais regiões do Nordeste, Sudeste e Sul do Brasil desapareceram . Quando da chegada dos portugueses no Brasil existiam mais de 1000 línguas indígenas, hoje 15% apenas conseguiram sobreviver a aculturação.

Índios no Brasil: 200 povos , 180 línguas

Quase 50% dos índios vivem fora de suas reservas de origem e destes , somente 12% falam seu idioma materno. O Tikuna , do Alto Amazonas , é o idioma indígena com mais falantes no Brasil ( em torno de 3.000) e que ainda , por sorte, consegue preservar sua cultura  . O que mais corrobora com a estatística da extinção das línguas de origem é que menos de 40% dos que se declaram indígenas fala a língua de sua etnia .  E ao contrário do que se pensa, apenas 17% desconhece a língua portuguesa.Talvez porque mais de 35% dos indígenas vivem em cidades e os programas de inclusão social não fornecem as condições efetivas para o exercício PLENO dos seus direitos.

Apesar disso, nos últimos anos , temos visto um processo gradual de valorização e incentivo ao bilinguismo. Aumentar o interesse dos mais jovens na revitalização das línguas indígenas de herança, transformar em orgulho a riqueza multilíngue e pluricultural através do ensino ( básico ao superior) ,proteção das línguas e culturas originárias é um caminho que começa a ser trilhado como política governamental e cidadania.
Como exemplo , deveríamos aprender com Papúa Nova Guiné, um país sem muito poder aquisitivo mas com uma vontade enorme de preservar suas 823 línguas restantes. Com uma política de governo forte exigiu a inclusão do aprendizado da língua vernácula nos primeiros anos de educação infantil com uma transição gradual para o idioma de instrução , reformando a política de exclusividade do inglês da década de 1950.

Mostrar para a sociedade que , com o desparecimento das línguas indígenas, o país perde diversidade, história ,identidade, memória cultural e patrimônio intelectual vasto e complexo.

TODAS AS LÍNGUAS SÃO PRECIOSAS .
QUANDO PERDEMOS UMA LÍNGUA PERDEMOS UMA VISÃO DE MUNDO , UMA IDENTIDADE ÚNICA E UM DEPÓSITO DE CONHECIMENTO.
MAIS QUE ISSO, PERDEMOS DIVERSIDADE E DIREITOS HUMANOS. NA ERA DA INFORMAÇÃO E APREGOAÇÃO DE DIREITOS NADA MAIS JUSTO QUE UMA DIVERSIDADE ENTRE IGUAIS.
UM ANCIÃO NAVAJO DISSE:

SE VOCÊ NÃO ABRE SEUS OLHOS,
NÃO HÁ CÉU.
SE NÃO ESCUTA,
NÃO HÁ ANCESTRAIS.
SE NÃO RESPIRA,
NÃO HÁ AR.
SE NÃO CAMINHA,
NÃO HÁ TERRA.
SE NÃO FALA,
NÃO HÁ MUNDO.
(Yamamoto – Sabedoria Tribal e o Mundo Moderno)

O povo brasileiro através da cultura indígena na visão de Darcy Ribeiro : seus hábitos , sua língua, sua forma de ver o mundo.